sexta-feira, 6 de dezembro de 2019
"Preconceito com folclore foi maior anos atrás", diz autor de A Bandeira do Elefante e da Arara
"Não faz isso aí, não vai dar certo, folclore é muito infantil".Esses eram os típicos comentários que Christopher Kastensmith, criador de A Bandeira do Elefante e da Arara, ouvia uma década atrás, quando começou a elaborar a ideia de criar um cenário de fantasia baseado no Brasil e nas lendas do período colonial. "Folclore não é infantil, é infantilizado. Essas lendas são histórias de terror", comentou o autor em uma entrevista ao The Enemy na CCXP19. O receio de que sua obra tivesse uma recepção ruim fez com que ele lançasse o projeto primeiro fora do Brasil. "Seria algo diferente, desconhecido para quem não é daqui."
E a estratégia deu certo: em 2011, o primeiro conto de A Bandeira do Elefante e da Arara concorreu ao Nebula, um dos principais prêmios do gênero de fantasia do mundo. E por ser ex-diretor criativo da Ubisoft, o autor teve contato na produtora francesa com os conceitos de transmídia,e implementou a ideia no mundo de Bandeira. "Além dos contos, vieram quadrinhos e principalmente o RPG de mesa", diz Christopher, que tem a jogatina como hobby desde a infância.
O RPG demorou a sair, sendo lançado em 2017 pela Devir. O jogo de A Bandeira do Elefante e do Macaco foi publicado em português e inglês e foi o primeiro título brasileiro a ganhar o Ennie, maior premiação do RPG. A repercussão internacional só aumentou desde então: "O preconceito [com o folclore] era maior 10 anos atrás. A receptividade aqui foi melhorando, muita gente passou a trabalhar com temas brasileiros nos jogos, livros, e com isso, temos mais aventuras e menos preconceito com o território brasileiro. Existe um interesse maior disso em grupos de discussão, podcasts e sites".
E o sucesso de A Bandeira fora do Brasil rendeu ao autor até um apelido curioso: "Lá fora eles chamam a obra de 'Witcher brasileiro'. Me apresentam em eventos na Espanha como "o cara que faz o The Witcher brasileiro". "Eu fico tipo: nossa".
Vale lembrar que atualmente,como relatado, há uma campanha de financiamento para que um game da obra para PC seja produzido.
Por: Riptor
Fonte: The Enemy
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