Estúdios de Hollywood, além de alguns distribuidores, já usam IA generativa para cortar custos há algum tempo. No entanto, nenhuma das principais empresas admitiu o uso da tecnologia com tanta naturalidade quanto a Netflix. O chefe do serviço de streaming, Ted Sarandos, revelou recentemente ter usado IA para criar imagens em O Eternauta, e ainda fez questão de promover as vantagens disso.
Aqui vale um disclaimer: Especialmente depois das greves de atores e roteiristas em 2023, os grandes estúdios têm tomado cuidado com o uso da IA generativa. O assunto ainda pega mal, mesmo quando o uso se limita a detalhes muito específicos como alteração de tom de voz e pronúncia dos atores, como em Emilia Pérez (2024) e O Brutalista (2024). Em O Eternauta, o uso aconteceu para a criação de uma sequência inteira com efeitos especiais.
A sequência em questão mostra um prédio desabando em Buenos Aires. Segundo Sarandos, ela foi concluída 10 vezes mais rápido do que poderia ter sido com ferramentas e fluxos de trabalho tradicionais de VFX.
"Continuamos convencidos de que a IA representa uma oportunidade incrível para ajudar os criadores a fazer filmes e séries melhores, não apenas mais baratos", disse Sarandos em uma reunião de divulgação de resultados financeiros. "O custo [dos efeitos especiais sem IA] simplesmente não teria sido viável para uma série com aquele orçamento."
Ted Sarandos não é bobo; ele sabe que o assunto vai gerar uma grande polêmica. Por isso, emitiu sua defesa após a declaração. "São pessoas reais fazendo trabalho real com ferramentas melhores. Nossos criadores já estão vendo os benefícios na produção através da pré-visualização e do planejamento de cenas, e certamente nos efeitos visuais. Acredito que essas ferramentas estão ajudando os criadores a expandir as possibilidades da narrativa na tela, e isso é infinitamente empolgante."
Na reunião, o chefe da Netflix disse ainda que essa foi a primeira vez que a empresa usou IA generativa para criar imagens.
Dentre os principais temores dos avanços da IA na indústria audiovisual, há o de que a tecnologia substitua o trabalho humano. Essa preocupação prolongou as greves de 2023 por meses. Na época, os sindicatos deixaram claro que não são contra o uso da IA generativa, desde que ela seja usada como ferramenta por humanos. A defesa de Sarandos tenta dar esse tom tranquilizador, mas será que vai funcionar? Veremos.
POR:Marcilio
FONTE:Ovicio

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