quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Executivos da Warner comentam venda para Netflix e o Fracasso de 'Coringa 2'

 






Embora o acordo ainda seja alvo de disputa por parte da Paramount Skydance, a divisão de cinema da Warner Bros. Discovery tem sua venda encaminhada para a Netflix, e há muito agito nas redes sociais e na imprensa por causa disso. Os chefes da Warner Bros. Pictures, no entanto, não estão abalados e aguardam com calma pelo desfecho dessa história.


Em entrevista ao The Wrap, Michael De Luca e Pam Abdy foram confrontados com a especulação de que, se a Warner sumir dos cinemas, a indústria acaba. A dupla não quis se estender muito no assunto, pois ainda não recebeu nenhuma diretriz da Netflix. Tudo o que eles prometem é que a ordem atual é priorizar ainda mais as telonas.


Na ocasião, os executivos explicaram a abordagem eclética atual da Warner como o resultado de um estudo profundo e equilibrado do que o público quer ver nos cinemas.


"Quando assumimos os cargos, David Zaslav concordou totalmente em voltar o estúdio para o cinema e não fazer originais para o streaming. Há um público pós-pandemia sedento por filmes. As pessoas querem sequências de legado, adaptações de franquias, blockbusters, mas também há um público da Geração Alfa e Z que quer ver originais.", explicou De Luca.


Falando especificamente sobre a aposta na comédia Cut Off (2026) — estrelada por Jonah Hill e Kristen Wiig e com estreia marcada para 17 de julho —, De Luca se posicionou contra o senso comum de Hollywood de que "comédias não funcionam mais no cinema".


"Não acreditamos em afirmações genéricas", declarou o executivo. "Hollywood é um animal de manada. No minuto em que há um sucesso, todos correm na mesma direção. Quando eu era um executivo iniciante, a comédia para adultos foi declarada morta. Aí veio American Pie. Um bom filme derruba qualquer regra geral."


No fim, De Luca e Abdy foram questionados se, com a Warner operando dentro da Netflix — conforme os planos da gigante do streaming —, eles ainda poderiam montar esses calendários tão ecléticos para os cinemas. E a resposta, como não poderia deixar de ser, foi um pragmático "não sei".


Aconteça o que acontecer, tudo o que os executivos querem é permanecer em seus cargos e continuar fazendo exatamente o que fazem hoje.


"Sendo honesto, esperamos continuar fazendo o que estamos fazendo perpetuamente", admitiu De Luca. "Este é o último emprego que quero ter. É o melhor trabalho que já tive."


Abdy continuou: "Eu também. Espero poder fazer isso até me arrastarem para fora. É um sonho. Trabalhar com esses cineastas e trabalhar juntos como melhores colegas."


"Esperávamos que o ano passado fosse a prova de que, se você opera sem medo e respeita o público com um catálogo eclético, o público estará lá. Eles querem vir ao cinema. Se você trouxer ofertas de qualidade, é um negócio muito viável e com oportunidade de crescimento.", completou Michael.


Alem disso;


O fracasso retumbante de Coringa: Delírio a Dois (2024) iniciou uma crise enorme na Warner Bros. Pictures, que quase desencadeou a demissão de seus presidentes no começo de 2025. O estúdio, no entanto, virou o jogo e teve o seu melhor ano do século. Hoje, Michael De Luca e Pam Abdy olham para a crise como algo que fortaleceu sua gestão.


Falando ao Wrap, a dupla disse ter fortalecido ainda mais a amizade no período em que estampava todas as manchetes negativas de Hollywood. Eles tinham muita confiança no catálogo de filmes da Warner e sempre acreditaram na virada de chave (embora não na magnitude que ela acabou tendo). No fim, amadureceram da forma mais difícil possível como grandes líderes.


"Quando havia aquele falatório da mídia, nossa equipe formou um círculo de proteção ao nosso redor", disse De Luca. "Operamos a empresa como uma família. E você tem que lembrar que a imprensa não sabia o que nós sabíamos — as exibições de teste, as campanhas. Sabíamos que ficaríamos bem. Não sabíamos que o catálogo superaria as metas nesse nível, mas estávamos razoavelmente seguros de que, assim que os filmes saíssem, as pessoas 'morderiam a língua'."



Abdy completou: "Mike e eu tivemos que nos apresentar como líderes para nossas equipes, porque tínhamos um catálogo inteiro para lançar. Você não pode sentar e apenas se preocupar com um momento."


Aproveitando a ocasião, os executivos também fizeram questão de defender o trabalho de Todd Phillips, evitando atribuir qualquer culpa pela crise.


"Eu realmente gostei [de Coringa: Delírio a Dois]. Ainda gosto…", disse Abdy, antes de Michael declarar: "Foi muito revisionista. E pode ser que tenha sido revisionista demais para um público global convencional, mas achei que o Todd [Phillips] fez o que a maioria das pessoas que fazem sequências não faz: decidiram não se repetir. Dou um crédito imenso a eles por isso, mas acabou não conectando com o público. Como somos veteranos, temos a 'casca grossa'. Já tive fracassos na minha história e sorte de ter sucessos. Mas tento lembrar de algo que alguém me disse uma vez: 'Todo mundo tem fracassos, mas nem todo mundo tem sucessos'."


Michael De Luca e Pam Abdy esperam continuar fazendo esse trabalho eclético na Warner por muitos anos. Atualmente, eles já trabalham no calendário de 2028.


"Estamos seguindo o mesmo caminho: apostar em cineastas e ter um catálogo eclético para os cinemas. Essa é a nossa estratégia. 2026 já está garantido, 2027 está quase cheio e agora olhamos para 2028", revelou Abdy.


De Luca concluiu: "Estamos triplicando a aposta no cinema. Queremos chegar a 18 filmes por ano."


POR:Marcilio

FONTE:Ovicio

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