quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Five Nights at Freddy’s 2 - A Reabertura Chegou

 



Mesmo não caindo nos amores da crítica, o primeiro filme de Five Nights at Freddy’s se mostrou um grande sucesso de bilheteria em 2023 (e como não poderia ser diferente) isso garantiu uma sequência. Lançada no último mês de 2025, a história meio que se repetiu novamente nesse sentido - e eis que eu decidi que esse meu momento também merecia.



Pois bem, a minha pessoa conferiu o filme em um domingo (14) do mês passado, então já poderia falar de fato devidamente sobre. Assim como fiz em meu texto sobre o primeiro filme (que você pode conferir/rever aqui) também devo dizer que não haverá spoilers, ou pelo menos nada muito revelador, para você que ainda queira conferir.

Como sempre, vamos começar pelo enredo. Cerca de um ano e meio após os eventos do primeiro filme, Mike, Abby e Vanessa demonstram estarem tentando seguir com suas vidas dentro do possível - ou pelo menos é o que essencialmente Mike gostaria de acreditar. Vanessa ainda é assombrada pela figura de William, e Abby não parece pronta para realmente esquecer seus "amigos". Mas é através também de um flashback, que nos é apresentado logo no início "a outra" pizzaria (agora, a original) e como os eventos que ocorreram nela envolvendo o nome de Charlotte Emily (Audrey Lynn-Marie) também irão agora desencadear mais um desafio ainda mais perigoso para o trio no presente. E se há algo que essa franquia fez sempre questão de lembrar, é que o passado nunca se permite ser esquecido tão facilmente.



Sobre a história, se já não havia ficado claro com o primeiro, o segundo definitivamente demonstra que a linha de filmes da franquia continua a trilhar seus próprios rumos narrativos, não sendo portanto, uma adaptação direta da vista nos jogos. Há, sim, adaptações de pontos conhecidos, ainda que eles também acabem servindo como uma inspiração para a história que vem sendo de fato contada nessa nova linha do tempo - não muito diferente do que os fãs da série já viram sendo feito na trilogia original de livros da mesma (publicada de 2015 a 2018) ainda que ela também tenha contribuído a seu modo para a timeline principal. E devo dizer, com certeza isso ajuda a causar algumas surpresas aqui, até mesmo em quem já está a mais tempo familiarizado com esse universo.

É pertinente observar como o maior paralelo entre o segundo filme, e o segundo jogo, é realmente o seu objetivo. Quando foi lançado com míseros 4 meses de diferença para o original, ainda em 2014, FNAF 2 serviu como uma expansão não apenas de mecânicas de jogo, como também de fato do rosto de muitos dos pontos mais pertinentes de sua história cheia de segredos, que sem dúvida seria radicalmente diferente sem ele. Ao abraçar ainda mais elementos da franquia, o segundo filme faz igualmente uma expansão de universo pertinente, seja com mais animatrônicos em tela, seja com questões de enredo que ainda deverão voltar a ser pauta.



Uma coisa positiva nesse aspecto é que por mais significativo que essa expansão seja, isso também não é feito a custo de algum conhecimento prévio - se você somente teve contato com a série pelo primeiro filme, é o suficiente para entender o todo sem ficar perdido. Eu diria que só haveria dois pontos (um nem tanto assim, e outro podemos dizer que sim) que talvez poderiam receber um pouco mais de contexto, mas nada que possa atrapalhar a experiência geral.

Mas não há como negar: o maior ponto de FNAF 2 nesse sentido é sem dúvida o fato da sequência de fato se abraçar como um filme de terror. Se o primeiro filme seguiu mais a linha no máximo de um suspense com um pouco de drama envolvidos, aqui temos um clima consideravelmente mais sombrio, e que passa bem mais o clima sentido nos jogos - e se você jogou FNAF 2 especificamente ou viu sobre, você sabe do que eu tô falando. Ainda que já tivesse feito um trabalho decente no anterior, nota-se claramente que a direção de Emma Tammi está muito mais confortável aqui.


Existe um sentimento de tensão mais evidente em certos momentos (isso quando não é gerado junto uma sensação de desconfiança e apreensão) mesmo em cenas que claramente servem como "momento de alívio", e isso é ótimo. A (velha) nova pizzaria, por exemplo, é um cenário que consegue se aproveitar disso por haver mais possibilidades envolvidas, como corredores com pouca luz, uma espécie de lago, além de uma aparência que naturalmente não é muito convidativa, emulando muito do estilo presente em sua contraparte dos jogos. E mesmo que exista, sim, um certo humor eventualmente, é algo mais contido que não afeta o principal foco do filme.

Falando um pouco do elenco, Josh Hutcherson continua operante como Mike, ainda que eu sinta que o arco do personagem aqui não tenha muito para onde realmente ir se comparado a toda questão envolvendo respectivamente a perda do seu irmão e sua relação com sua irmã no primeiro filme. Basicamente ele quer tentar voltar a ter uma vida normal, até perceber que ainda terá de lidar com mais algumas merdas, para então poder pensar nisso. Fica claro a preferência em dar mais destaque realmente para Vanessa, o que eu achei particularmente interessante para dar uma idéia melhor de como ela de fato acabaria sempre estando ao redor dos atos de seu pai de uma forma ou de outra, incluindo até mesmo uma conexão entre a mesma e Charlotte, para se dizer o mínimo aqui.



Ainda assim, sinto que o roteiro não se aprofunda tanto realmente no potencial narrativo disso. Vanessa é uma personagem promissora nesse sentido desde o primeiro longa, mas o filme se propõe na prática a dar mais "prévias" disso, como a figura de William ainda assombrando sua cabeça (o que garante a Matthew Lillard algumas pequenas aparições, ainda que elas sejam boas) bem como flashbacks. Ainda mais levando em conta que o passado da mesma se mostra como parte dos pontos mais importantes da história (como antecipei, posso incluir Charlotte nisso), acho que um aprofundamento maior sem dúvidas teria sido benéfico para algo que já começou a ir pra um caminho promissor em termos de história e impacto emocional. Nesse ponto, Elizabeth Lail faz o que pode, e sem dúvidas a personagem merece ter esse espaço mais trabalhado. Enquanto isso, Piper Rubio (já sobre efeito do fermento de crescimento) continua a fazer de Abby uma personagem pelo qual é fácil simpatizar, o que até reflete como o próprio fandom abraçou a mesma. Algo que eu acho legal de se destacar - ainda há bons exemplos em fandoms fazendo algo bom nesse mundo, afinal. 

Como não poderia ser diferente, o segundo filme também traz novos personagens. Lisa (McKenna Grace) aparece como o rosto de uma espécie de programa sobre investigações paranormais que decide se meter onde não devia - e digamos que ela acaba tendo seu certo momento na trama. O mesmo pode ser dito de Wayne Knight como o Senhor Berg, o professor de robótica da escola de Abby que despreza a marca Fazbear. Se você conhece a filmografia do ator, com certeza vai notar um paralelo claro aqui com seu papel mais famoso, é o que eu posso te dizer. É bem satisfatório, diga-se de passagem. Por fim, temos Skeet Ulrich como o famoso ex-parceiro de William Afton, Henry Emily, que tem uma participação relativamente curta, mas que ajuda no andar das coisas. De toda forma, parece seguro dizer que ainda veremos mais de seu personagem futuramente, principalmente para termos de fato um certo reencontro em tela.

E não poderia de forma alguma ser diferente: assim como no anterior, não há dúvidas que os animatrônicos novamente brilham aqui, agora praticamente com o dobro da quantidade de presentes. Se antes tínhamos Freddy, Chica, Bonnie e Foxy (e se você quiser incluir ainda, Golden Freddy) aqui temos as versões Withereds ("ultrapassadas") dos primeiros quatro mencionados, Balloon Bosta Boy, os Toys Animatronics (Toy Freddy, Toy Chica, Toy Bonnie e Mangle, que contam com uma justificativa funcional na história) e claro, Puppet, a Marionete. E graças às forças maiores, a própria pizzaria deixa de ser o único terreno para eles, fazendo com que tenhamos também cenas dos mesmos andando livremente pela cidade.

Bicho Larazento

Puppet, aliás, se encaixa muito bem no papel de assumir o posto antagonista, gerando sempre um clima de desconforto e tensão em cena. Mais uma vez, a equipe da Creature Shop faz um trabalho excelente ao transpor as grandes caras da franquia de uma forma não apenas fiel às suas contrapartes dos jogos, como igualmente eficientes em tela, com direito até mesmo a cenas que servem como referências diretas a eles - como o uso estratégico da sala de segurança, bem como da clássica máscara para despistar (alguns) dos bichos. Referências é o que não falta aqui.



No fim das contas, mesmo que ainda carregue algumas limitações (principalmente no que diz respeito ao tempo dedicado a certos arcos narrativos) é inegável que Five Nights at Freddy’s 2 ainda consegue se provar como uma evolução consistente em relação ao que foi entregue no primeiro filme. Seja ao abraçar de forma mais direta o terror, ou ainda mais seu próprio material de origem, a sequência não só expande seu potencial, como também abre novas possibilidades futuras, mesmo que ainda seja necessário lapidar certos pontos. 



O resultado final claramente demonstra um empenho dos envolvidos (que inclui novamente o próprio criador da franquia, Scott Cawthon) em ouvir sim parte do feedback recebido anteriormente, bem como o apreço em relação a esse mundo - das referências mais "bobas", a mais uma música de fã sendo tocada em seus créditos finais. E até mesmo para os não tão antenados, existe a chance de talvez se mostrar como uma entrada mais eficaz.

"Vestir a camisa” de algo que se gosta nunca significa aceitá-la de forma acrítica. Na verdade, é justamente com o seu próprio apreço com determinada obra que te permite identificar com mais clareza onde se acerta, e onde pode se melhorar. Às vezes, parte da recepção mais dura vinda da chamada crítica especializada parece apenas preferir se focar muito mais em certos pontos - mesmo que com isso, também se anule os méritos do todo. A ironia disso, é que analisar qualquer coisa dessa forma, apenas resulta em uma análise tão rasa quanto ignorar os próprios problemas dela. A única diferença, é que tem quem chame isso de profissão.


Então é isso gente, espero que tenham gostado. Até a próxima!


Por: Riptor

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