sábado, 31 de janeiro de 2026

Sobre o acordo da Netflix com a MAPPA

 






Recentemente, a Netflix e o estúdio MAPPA (Jujutsu Kaisen, Chainsaw Man) anunciaram parceria estratégica para coproduzir e distribuir anime globalmente.


As duas empresas irão colaborar em "projetos com uma perspectiva global, do desenvolvimento da história até o merchandising." Uma seleção de títulos do estúdio terá lançamento mundial exclusivo na plataforma de streaming.


Para Hiromichi Shizume, produtor da TV Asahi, uma das principais emissoras do Japão, o acordo representa um risco para o modelo atual de "comitês de produção", que se tornou padrão na indústria.



Estabelecendo-se nos anos 1990, o modelo de comitês de produção consiste em um consórcio de empresas (incluindo editoras de mangás, redes de TV e companhias de merchandising) que se reúnem para investir na produção de um anime.


Nesse formato, os investidores alocam recursos mínimos para os estúdios de animação, o que mantém os custos de produção baixos. Desse modo, o orçamento base garante que os estúdios não terão prejuízo caso o anime não tenha um bom desempenho. Por outro lado, caso o anime seja um sucesso, não há um sistema de royalties que garanta aos estúdios participação nos lucros.



Shizume acredita que estúdios abandonarem comitês de produção e fecharem parcerias diretas com gigantes do streaming pode se tornar uma tendência e que isso aumentaria os custos de produção. "Se começarmos a ver uma sequência de grandes sucessos, pode haver pressão crescente para repensar o sistema onde somente os investidores lucram.", disse o produtor em entrevista ao Pinzuba News.


Ele ainda afirmou: "Criadores naturalmente querem trabalhar onde tenham pagamento melhor e mais liberdade. Isso é fato não apenas para anime, mas também para dramas e programas de variedade".



Não é de hoje que o MAPPA busca escapar desse modelo e se tornar mais independente. Por exemplo, o estúdio dispensou um comitê para Chainsaw Man e assumiu os custos de produção. Agora, com a parceria com a Netflix, a empresa está pronta para levar esse objetivo a outro nível.


O presidente e CEO do MAPPA, Manabu Otsuka, afirmou: "Nós já trabalhamos com a Netflix em vários projetos no passado, mas essa parceria expandida é baseada no princípio central do MAPPA de ser um estúdio independente, tanto criativamente quanto nos negócios. Estúdios de animação japoneses devem liderar proativamente cada etapa, desde o entendimento dos desejos do público global e o desenvolvimento de projetos, até o alcance de espectadores e a expansão dos negócios."


POR:Marcilio

FONTE:Ovicio

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