O renomado e polêmico John Byrne está quebrando um hiato de mais de uma década para lançar X-Men: Elsewhen (X-Men: Outra Era, em tradução livre). O projeto marca o retorno do autor aos personagens que o consagraram na década de 80, e está sendo encarado pelo próprio artista como a sua grande despedida dos quadrinhos.
A obra nasceu originalmente como uma fanfic produzida por Byrne por puro lazer, que tinha páginas postadas no site oficial do artista. Trata-se de uma linha do tempo alternativa que continua os eventos de sua fase clássica na revista Uncanny X-Men, partindo do princípio de que a heroína Jean Grey sobreviveu aos eventos da icônica saga da Fênix Negra (ao contrário do que ocorreu na publicação original após interferências editoriais).
Aqui vai a notícia mais estranha. A publicação não ficará a cargo da Marvel Comics. A editora licenciou para a Abrams ComicArts, que já tem publicado alguns materiais especiais da Casa das Ideias.
O atual editor-chefe da Marvel, C.B. Cebulski, até demonstrou interesse em publicar a obra diretamente pela editora, mas não concordou com as exigências de Byrne. A ideia da Marvel era lançar o material em revistas mensais, enquanto o autor queria que a história saísse direto em formato de encadernado. No fim das contas, Cebulski encontrou um meio-termo e licenciou o conteúdo para a editora Abrams.
X-Men: Elsewhen conta com 31 edições escritas e desenhadas por John Byrne, e será publicada em três encadernados. O primeiro sai nos EUA agora, em 23 de junho, o segundo está programado para o meio de 2027 e o terceiro para 2028.
“Estou começando a acreditar que Elsewhen será a minha despedida em grande estilo“, declarou o autor de 76 anos.
Mesmo antes de chegar às prateleiras, o volume inicial já se provou um sucesso comercial absoluto, tendo todos os 25 mil exemplares da primeira tiragem completamente esgotados apenas na pré-venda, o que já obrigou a editora a encomendar uma segunda impressão.
Alem disso;
Em 1986, após desentendimentos com os editores da Marvel, John Byrne deixou a revista dos X-Men e assinou com a DC Comics. Ele chegava com uma tarefa ambiciosa. Enquanto Frank Miller reformulava o Batman, Byrne assumia o desafio de fazer o mesmo com o Superman, estabelecendo uma nova origem e uma nova mitologia para o herói. Embora o seu Homem de Aço tenha sido um enorme sucesso, o autor odiou a maior parte do tempo em que trabalhou com o personagem.
Falando para o Hollywood Reporter, Byrne revelou que a experiência foi completamente arruinada por promessas quebradas e interferência corporativa. Ele aponta que a raiz de sua frustração foi a falta de palavra da editora no quanto de liberdade ele tinha para reformular o herói.”Eu costumo dizer que gostaria de nunca ter feito o Superman, porque a DC mentiu para mim em cada etapa do caminho“, desabafou o autor.
Por algum tempo, Byrne chegou a acreditar que o projeto tinha tudo para ser a realização do maior sonho de sua vida, mas se transformou em uma “sequência interminável de decepções e frustrações“, o que o levou a pedir demissão da revista poucos anos depois.
Olhando para trás, o autor avalia que, se tivesse trabalhado com o Batman no lugar do Superman, teria aproveitado melhor sua passagem pela DC, já que o herói de Gotham talvez trouxesse menos resistência às suas ideias.
Apesar de guardar mágoas do processo criativo com a editora, Byrne não odeia a DC a ponto de recusar pagamentos por suas contribuições na franquia. “Olha, eu acabei de receber um cheque fenomenal pelo filme mais recente do Superman. Eu sou o oposto do Alan Moore. Eu aceito o dinheiro.“, declarou.
POR:Marcilio
FONTE:Ovicio
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