A aprovação da compra da Warner Bros. Discovery (WBD) pela Paramount-Skydance está mais lenta do que David Ellison esperava, ou pelo menos do que ele prometia. Agora, um representante do bilionário já aponta uma culpada: a Netflix.
Se você estava fora do planeta, vou resumir a situação: a Paramount pressionou pela compra da Warner de forma que David Zaslav, atual CEO da WBD, teve que abrir um leilão para vender o estúdio. NBCUniversal, Paramount e Netflix participaram, e a gigante do streaming ganhou. David Ellison, no entanto, ficou enchendo a paciência de políticos, agentes fiscais e da diretoria da Warner, ameaçando até dar um golpe na liderança da empresa, pois queria comprar o estúdio liderado por Zaslav à força. No fim das contas, após várias propostas hostis recusadas, uma última — com a liberação da Netflix — foi feita e aceita. A gigante do streaming, então, desistiu do negócio, deixando o caminho livre para Ellison e cia.
A Paramount prometeu pagar US$ 111 bilhões pela Warner. Se o acordo não for aprovado até 30 de setembro, o estúdio de Ellison terá que pagar uma taxa adicional de US$ 0,25 por ação a cada trimestre. Por isso, garantir a aprovação é uma corrida contra o tempo. Reprovação, então, nem pensar: a Paramount será obrigada a pagar uma multa de rescisão de US$ 7 bilhões para a Warner se os órgãos reguladores barrarem o negócio.
Agora, com o prazo se esgotando, Makan Delrahim, o diretor jurídico da Paramount-Skydance, afirma que a Netflix está fazendo de tudo para tentar “envenenar reguladores e outras partes interessadas” contra o acordo. O motivo seria o temor da gigante do streaming em competir com a empresa resultante da fusão entre a Paramount-Skydance e a Warner Bros. Discovery.
Em uma carta datada de 5 de junho e enviada aos advogados da Divisão Antitruste do DOJ (Departamento de Justiça dos EUA), Delrahim escreveu que a Netflix estaria fazendo uma campanha de “terra arrasada” por baixo dos panos, e que isso estaria atrapalhando a capacidade de julgamento de pessoas importantes nesse processo.
Delrahim escreveu o documento em resposta ao relatório técnico da International Brotherhood of Teamsters (sindicato dos caminhoneiros e trabalhadores de produção americana) enviado ao Departamento de Justiça em março. No documento, o sindicato instou o órgão a bloquear a fusão Paramount-WBD, a menos que a Paramount concordasse com “salvaguardas substanciais e aplicáveis” contra cortes de empregos e em apoio ao aumento da produção nos EUA.
O diretor jurídico escreveu ainda: “Entendemos que, como parte de sua guerra por procuração mais ampla contra a transação, a Netflix tentou convencer os Teamsters e outras partes interessadas de que a aquisição da Fox pela Disney teve um impacto negativo na produção de conteúdo e nas oportunidades de trabalho. Francamente, a narrativa de ‘o céu está caindo’ da Netflix se afasta significativamente da realidade prática do que realmente aconteceu“.
Para os Teamsters, a provável fusão representa uma “ameaça direta aos trabalhadores de cinema e televisão em todo o país“, incluindo quase 15.000 membros do sindicato no setor cinematográfico. Delrahim descarta as preocupações deles, alegando que elas não se baseiam em fatos. “Uma concorrência revigorada para produzir mais conteúdo em toda a indústria do entretenimento se traduzirá em mais oportunidades para o trabalho sindicalizado além dos projetos da Paramount. Em suma, este acordo é uma vitória para os Teamsters e outros sindicatos trabalhistas“, escreveu.
No fim das contas, Delrahim não deu nenhuma garantia documentada contra a perda massiva de empregos na indústria. Ele apenas repetiu as mesmas promessas de sempre sobre produzir 30 filmes por ano e blá-blá-blá.
Por sua vez, um porta-voz da Netflix disse à Variety que a acusação da Paramount é “absurda“: “Saímos desse acordo há meses e continuamos focados no nosso próprio negócio, não no deles. No final das contas, cabe aos reguladores aprovar esse acordo e determinar se ele está no melhor interesse da indústria e de todos os envolvidos.“, declarou.
Mas a situaçao ainda e complicada para a Paramount, ja que nesta terça-feira (9), o órgão regulador de concorrência do Reino Unido, a Competition and Markets Authority (CMA), informou que iniciou uma investigação sobre a proposta de fusão entre a Paramount-Skydance e a WBD. A primeira decisão será publicada em agosto. Caso a agência decida estender as investigações, a Fase 2 vai durar pelo menos cinco meses, o que seria um banho de água fria no planejamento de David Ellison, que previa ter tudo aprovado já em julho.
Nos EUA, enquanto a Paramount aguarda o sinal verde oficial do DOJ, procuradores-gerais estaduais, incluindo Rob Bonta, da Califórnia, estão potencialmente avançando com litígios que buscam bloquear a fusão Paramount-WBD com base em leis antitruste.
Algo que também tem preocupado políticos norte-americanos é o fato de que, caso seja aprovada, a empresa resultante da fusão terá 49,5% de suas ações nas mãos de investidores estrangeiros. Cerca de 38,5% do capital da nova companhia pertencerá a fundos soberanos da Arábia Saudita, Catar e Abu Dhabi. Ellison e seus pares garantem que continuarão no controle total do negócio, mas há dúvidas se fundos tão conhecidos por seu perfil centralizador aceitariam investir tanto dinheiro sem ter qualquer poder de veto.
Toda vez que Ellison fala sobre esse processo de aprovação, ele garante que tudo está correndo bem e dentro do cronograma. No entanto, os fatos indicam o contrário. Embora o prazo final ainda possa ser cumprido, os executivos da Paramount estão claramente sob forte pressão.
POR:Marcilio
FONTE:Ovicio

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