Atualmente, existem mais de uma dúzia de plataformas digitais de mangá em língua inglesa acessíveis na América do Norte que são operadas diretamente por empresas japonesas. Dessas plataformas, mais de dois terços foram lançadas nos últimos cinco anos, indicando que a indústria japonesa de mangá está levando a sério seus esforços para ampliar sua presença digital na região.
Em comparação com plataformas norte-americanas de quadrinhos digitais que oferecem mangás, como GlobalComix e Neon Ichiban, muitas plataformas japonesas são de propriedade de editoras. Isso significa que as plataformas digitais pertencentes a empresas japonesas possuem equipes que interagem regularmente com as equipes editoriais das principais marcas de mangá do Japão, permitindo coordenar lançamentos globais de novos títulos de destaque.
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) lançou neste ano novos subsídios para incentivar o desenvolvimento de plataformas digitais de mangá no exterior por editoras e distribuidoras japonesas. Tudo isso faz parte de um esforço para triplicar o valor das exportações de conteúdo de entretenimento para ¥20 trilhões (US$ 125 bilhões) até 2033.
Por trás dessa aceleração dos investimentos fora do Japão está a estagnação das vendas de mangá digital no mercado doméstico (veja “Japan Manga Market Struggles”). Por outro lado, as vendas de mangá digital na América do Norte ainda têm espaço para crescer. Um indicador disso foi a recente revelação de que as vendas digitais representaram 18% das vendas totais da editora de mangá Seven Seas Entertainment, sediada em Los Angeles, no ano fiscal de 2025, graças a informações divulgadas relacionadas à sua aquisição pela distribuidora japonesa de e-books Media Do (veja “Seven Seas Acquired”).
No entanto, o Japão enfrenta um grande obstáculo em sua tentativa de expandir o mangá digital no exterior: a pirataria.
De acordo com a empresa de pesquisa sobre pirataria digital Muso, os mangás representaram 73% de todas as visualizações de conteúdo editorial pirateado no mundo em 2025, um aumento em relação aos 50% registrados em 2019. Nove dos dez maiores sites de pirataria editorial eram plataformas de mangá que disponibilizam conteúdo traduzido por fãs mais rapidamente do que os lançamentos licenciados. Os Estados Unidos foram a segunda maior fonte de visualizações de conteúdo pirateado.
Consequentemente, os quatro primeiros pedidos de subsídios aprovados pelo METI japonês — provenientes do K Manga, da Kodansha; Manga Plus, da Shueisha; Manga Up!, da Square Enix; e MangaPlaza, da NTT Solmare — afirmam que um dos objetivos é colocar mangás traduzidos no mercado mais rapidamente, na esperança de afastar dos sites piratas os leitores que querem ler os títulos mais recentes.
Os subsídios forneceriam a cada plataforma até ¥3 bilhões (US$ 19 milhões) para auxiliar em localização e marketing.
A proliferação das plataformas digitais de mangá também se deve à tendência das empresas japonesas de desenvolverem sistemas próprios, sem aderir a um padrão global, algo conhecido na literatura empresarial como “síndrome de Galápagos”.
O ecossistema digital de mangá do Japão surgiu há mais de uma década sem interação com o mercado global de e-books. Para as editoras, é mais fácil adaptar seus próprios sistemas para operar no exterior do que integrá-los às plataformas de e-books já existentes na América do Norte.
Essa fragmentação da publicação digital de mangás cria complexidade para plataformas agregadoras como a BookWalker Global. Embora a loja de e-books de mangás e light novels seja propriedade da Kadokawa, ela também distribui obras de outras editoras de mangá.
Para lidar com esse modelo, a BookWalker Global ainda oferece atualmente aos seus parceiros editoriais uma quantidade significativa de serviços personalizados. Um exemplo é a própria plataforma realizar a conversão dos arquivos de e-book recebidos das editoras, segundo o CEO Samuel Pinansky, quando o entrevistei sobre o relançamento da plataforma no início deste ano.
A fragmentação do mangá digital também se tornou um assunto discutido dentro do próprio Japão.
O Japão possui mais de 450 aplicativos de leitura de mangás e e-books com pelo menos 500 usuários ativos mensais, de acordo com uma pesquisa de 2025 realizada pela empresa de análise de aplicativos móveis App Ape.
No entanto, quando a Agência para Assuntos Culturais do Japão propôs, em junho deste ano, uma plataforma doméstica unificada para a distribuição de mangás digitais por assinatura, a proposta encontrou resistência por parte das editoras, que preferem manter suas próprias plataformas.
A agência acredita que uma plataforma de distribuição unificada tornaria mais fácil promover os mangás no exterior. Ela espera chegar a uma conclusão por meio das discussões até 2029.
POR:Marcilio
FONTE:ICV2
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