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O piloto pode ter terminado deixando uma enorme pergunta no ar, mas o segundo episódio de 'Lanternas' toma uma decisão pertinente: ao invés de correr imediatamente para começar a explicar aquele gancho, a série prefere continuar desenvolvendo o mistério que começou em Rushville. E, considerando tudo o que já descobrimos sobre a cidade, essa parece ser a escolha certa. A investigação começa a ganhar novas camadas, Hal e John seguem caminhos diferentes durante boa parte do episódio e, aos poucos, fica cada vez mais evidente que existe algo muito maior escondido em Nebraska.
Depois dos acontecimentos do episódio anterior, Hal permanece em Rushville — para absoluto desgosto da xerife Kerry. Mesmo tendo conseguido provar que estava certo sobre os alienígenas, ele não demonstra qualquer intenção de abandonar a investigação. Pelo contrário: agora ele está ainda mais interessado na família Macon e na quantidade suspeita de recursos tecnológicos disponíveis para a milícia de William. E ele não demora muito para descobrir algo importante: o grupo de Macon possui tecnologia capaz de identificar alienígenas metamorfos, graças ao financiamento de uma figura misteriosa. A identidade dessa pessoa continua sendo mantida em segredo, mas o episódio começa a deixar pistas bastante evidentes sobre sua verdadeira natureza.
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| Tio Paulo Versão DC |
E, claro, Hal não descobre isso seguindo exatamente os procedimentos corretos. Ignorando completamente a autoridade local, ele invade o necrotério, rouba os corpos dos alienígenas mortos no estádio e os leva novamente até a cena do crime. É dessa forma que ele consegue descobrir os dispositivos utilizados pela milícia para detectar os invasores. Método questionável? Definitivamente. Eficiente? Infelizmente para Kerry, sim.
Enquanto o veterano continua causando problemas, John recebe outra missão: buscar a bateria de energia do anel de Hal em Coast City. A visita à casa de Jordan também rende alguns momentos mais descontraídos, como o encontro de Stewart com Earl, uma planta carnívora alienígena que aparentemente faz parte da coleção particular de Hal. Mas a viagem rapidamente deixa de ser tranquila: John é sequestrado por membros do mesmo grupo de alienígenas que havia aparecido em Rushville, e é nesse momento que a situação ganha um novo contexto.
A milícia dos Macon realmente havia matado aqueles alienígenas porque já possuía meios de identificá-los, com tais seres fazendo parte de um grupo liderado por Antaan - e a presença deles na Terra está ligada diretamente ao grande mistério da temporada. Antes disso, porém, o episódio continua explorando a relação de John com o anel. Quando Hal tenta ensiná-lo a voar, sua orientação é quase inacreditavelmente simples: "Pense em voar".
John segue a instrução, e acaba conseguindo produzir algo muito interessante: um pequeno pássaro feito de energia verde. O detalhe importante é que o construto não apenas possui movimento próprio como também continua existindo mesmo depois que John deixa de usar o anel. John claramente possui um talento natural para manipular a energia da vontade, e a série começa a sugerir que talvez exista uma razão maior para os Guardiões terem quebrado suas próprias regras ao escolher alguém como ele para ser aprendiz de Hal.
Nos quadrinhos, existe um conceito que imediatamente vem à mente diante de tal capacidade: Ion, a Entidade Emocional da Vontade. Essencialmente, é a manifestação viva da energia verde do Espectro Emocional, e funciona como uma espécie de contraponto a Parallax, a entidade associada ao medo. Quando encontra um hospedeiro, Ion estabelece uma ligação simbiótica com ele e pode ampliar sua força de vontade a níveis absurdos. Entre seus hospedeiros mais reconhecidos, está Kyle Rayner.
Em determinadas histórias, o poder associado a Ion permite feitos que ultrapassam completamente os limites tradicionais de um Lanterna Verde: energia praticamente ilimitada, manipulação da realidade, influência sobre o tempo e até a criação de construtos que parecem possuir consciência própria. Ou, colocando de outra forma, algo muito parecido com criar vida através da energia verde. Exatamente como aquele pássaro. Ainda é cedo para afirmar que a série estará de fato adaptando Ion através de John, mas o episódio certamente deixa espaço para essa possibilidade.
Voltando a Antaan e seu grupo, descobrimos o motivo pelo qual eles estão procurando algo na Terra: eles acreditam que um Caçador Cósmico esteja escondido em Nebraska. Na mitologia dos Lanternas, os Caçadores foram criados pelos Guardiões antes mesmo da existência da Tropa dos Lanternas Verdes, onde a ideia era simples: construir seres artificiais capazes de levar justiça ao universo. Mas como costuma acontecer quando alguém tenta resolver todos os problemas do cosmos criando máquinas extremamente poderosas, a situação saiu do controle. Os Caçadores acabaram se tornando máquinas de destruição, responsáveis por massacres em diferentes regiões do universo - e agora um deles pode estar escondido na Terra.
Essa revelação também pode mudar completamente a questão envolvendo a morte de Abin Sur. Já sabíamos que Hal mantinha sua atenção voltada para Nebraska porque foi naquela região que Abin Sur caiu e morreu. Agora, Jordan começa a considerar uma nova possibilidade: talvez seu antecessor estivesse transportando um Caçador Cósmico a mando dos próprios Guardiões. Se isso for verdade, algo aconteceu durante a viagem, o Caçador teria sobrevivido, encontrado uma maneira de assumir uma aparência humana e permanecido escondido em Rushville. Mais do que isso: existe a forte possibilidade de que seja justamente essa entidade quem está financiando a operação dos Macon.
Antaan dá a John um ultimato: eles possuem 48 horas para entregar o Caçador, ou caso contrário, Rushville sofrerá as consequências. E, para garantir que John compreenda exatamente o tamanho da tragédia que aquele grupo viveu, Antaan utiliza uma tecnologia alienígena para transferir para ele as memórias de seus companheiros mortos. Não parece ter sido uma experiência particularmente agradável.
Falando nisso, antes mesmo da estreia da série, já existiam especulações de que Antaan poderia esconder uma identidade mais conhecida pelos leitores dos quadrinhos, algo que certamente pode ser alimentado com base no que o episódio nos mostra. Antaan revela que seu planeta sofreu uma espécie de holocausto provocado pelos Caçadores Cósmicos e deixa claro que sua motivação principal é vingança. Para os fãs dos Lanternas, é difícil não pensar nessas horas em Atrocitus. Antes de se tornar o fundador dos Lanternas Vermelhos, Atrocitus era conhecido como Atros, e foi um dos sobreviventes do massacre ocorrido no Setor 666, uma tragédia causada justamente pelos Caçadores Cósmicos.
A destruição de seu mundo e a morte de sua população foram acontecimentos fundamentais para sua transformação e, posteriormente, para a criação da primeira Bateria de Energia Vermelha. Seria Antaan uma nova interpretação do mesmo? Ainda não sabemos. Pode ser apenas uma coincidência, ou mesmo uma referência proposital à origem do personagem. Mas certamente é uma pista interessante demais para ser ignorada.
Enquanto John lida com isso, Hal continua avançando por conta própria. William Jr. informa que ele finalmente está livre para deixar Rushville, mas isso já não significa muita coisa para Jordan, que está convencido de que existe algo muito errado envolvendo essa família - e decide confrontar Macon diretamente em sua fazenda. O encontro, porém, não dura muito: logo na chegada, Jordan é atingido no ombro e perde a consciência. Quando desperta, está em um hospital ao lado de Kerry.
Apesar de todos os conflitos entre os dois, a xerife demonstra que, no fundo, existe algum respeito — ou pelo menos preocupação — por Hal. E é durante essa conversa que surge mais uma informação pertinente, já que enquanto estava desacordado, Hal repetia constantemente uma única palavra: Sinestro.
Esse mesmo segmento traz outra revelação que, à primeira vista, parece apenas um detalhe sobre a personagem: Kerry é originalmente de Gotham City, tendo deixado a cidade em busca de uma vida mais tranquila em Rushville. Mas essa informação, aliada ao seu sobrenome, é o que chama atenção.
Kane é um nome extremamente conhecido dentro da mitologia de Gotham, sendo o sobrenome de Martha Wayne antes de seu casamento e também de Kate Kane, prima de Bruce Wayne e que também se torna uma heroína ao assumir o nome de Batwoman. Isso não significa necessariamente que Kerry tenha alguma ligação direta com essas figuras, mas dificilmente uma série ambientada no DCU escolheria determinados sobrenomes completamente por acaso. De toda forma, depois de receber alta, Hal percorre os corredores do hospital ao lado de Kerry e percebe outra coisa estranha: o local está completamente equipado.
Máquinas novas, aparelhos modernos e equipamentos que parecem sequer ter sido utilizados. Por outro lado, praticamente não há médicos, e muito menos pacientes. Por que alguém investiria tanto dinheiro em um hospital praticamente vazio? Existe algum plano para utilizar aquele lugar no futuro? Ou o hospital serve apenas de fachada para outra coisa?
Apesar das questões com Antaan, John acaba retornando para Rushville e entrega a bateria a Hal, onde já havia sido instruído a não revelar ao veterano o que descobriu. Talvez Antaan acreditasse que Hal, por ser um Lanterna mais experiente e possuir uma longa relação com a Tropa, simplesmente escolheria obedecer aos Guardiões sem questionar. Mas John toma uma decisão diferente: assim que reencontra Hal, ele conta tudo. É um momento pequeno, mas importante para a construção do personagem. John demonstra que possui seu próprio senso de certo e errado e não está disposto a esconder informações apenas porque alguém ordenou.
Naturalmente, Hal também percebe imediatamente a gravidade da situação. Ele já havia explicado que não costuma usar seu uniforme completo na Terra, e que isso é reservado para ocasiões especiais. E aparentemente conversar com Sinestro sobre um Caçador Cósmico escondido na Terra se encaixa perfeitamente nessa categoria. O episódio termina com Hal partindo para o espaço usando novamente seu uniforme clássico e se encontrando com o vilão, que revela saber sobre John e demonstra interesse imediato no novo recruta. Assim, a série já começa a estabelecer que a relação entre os dois pode ser muito mais complexa.
Afinal, Sinestro já foi um dos membros mais respeitados da Tropa antes de entrar em conflito com os Guardiões, além de também ter sido o mentor de Hal durante seus primeiros anos como Lanterna Verde. Muitas vezes, a relação entre os dois ultrapassou a simples parceria profissional: Sinestro foi uma figura de enorme importância para Hal e, de certa forma, ocupou até mesmo um papel quase paternal em sua vida. Não atoa, essa conversa promete revelar muito mais do que apenas informações sobre o Caçador - e considerando que Hal repetia o nome de Sinestro enquanto estava desacordado, certamente será o caso.
O segundo episódio termina conseguindo responder algumas perguntas, mas criando várias outras. Por que os Guardiões teriam permitido que um Caçador Cósmico permanecesse vivo? Quem seria essa entidade? Ela realmente está vivendo em Rushville sob uma identidade humana? É o Caçador quem está financiando William Macon e sua milícia? E, acima de todas essas perguntas, continua existindo aquela que o primeiro episódio colocou diante do público: o que aconteceu com Hal Jordan? Afinal, a esse nível, já ficou claro que talvez aquilo que vimos no futuro já não seja tão simples quanto parecia.
Eu já poderia encerrar aqui - até porque para quem dizia o contrário, há ainda mais elementos de ficção envolvidos no episódio - mas vale destacar ainda um pouco uma menção significativa a outro Lanterna alienígena da Tropa. Quando John finalmente chega ao quarto de Hal para recuperar a bateria, encontra um cofre que também abriga uma espécie de universo compacto (te lembra alguma coisa, Lex?) que só pode ser aberto com uma senha. E a senha escolhida por Hal é: "Mogo não comparece às reuniões".
A frase é uma referência direta a uma história clássica de Alan Moore & Dave Gibbons, responsável por apresentar um dos Lanternas Verdes mais incomuns dos quadrinhos: Mogo, um planeta vivo e consciente. Sim, literalmente um planeta inteiro faz parte da Tropa, onde consegue utilizar sua vegetação e seu campo gravitacional para formar o símbolo da mesma em sua superfície.
E não, Mogo não evita reuniões porque simplesmente não gosta de companhia. Um planeta consciente com uma força gravitacional gigantesca não pode simplesmente estacionar ao lado de outros mundos sem causar problemas monumentais. Sua aproximação poderia afetar órbitas e provocar consequências desastrosas para os ecossistemas de outros planetas. Então, tecnicamente, Mogo está apenas sendo responsável.
Além disso, ele definitivamente não é o único membro da Tropa que provavelmente deveria evitar encontros presenciais. Existe, por exemplo, Leezle Pon. E Leezle Pon é, literalmente, um vírus de varíola superinteligente. Pois é, talvez seja melhor deixar algumas reuniões para videoconferência.
Por: Riptor











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