A fusão entre a Warner Bros. Discovery e a Paramount-Skydance está finalmente livre para avançar. Nesta quarta-feira (30), a Justiça dos Estados Unidos aprovou o acordo firmado entre a Paramount e uma coalizão de 12 estados norte-americanos que havia entrado com uma ação para tentar impedir a operação. Com a decisão, o último grande obstáculo judicial para a conclusão do negócio foi superado.
A operação, avaliada em US$ 111 bilhões, deverá ser concluída na próxima terça-feira, 6 de outubro. A data foi indicada pela Paramount após a aprovação do acordo, embora o fechamento ainda esteja sujeito às etapas finais necessárias para concretizar a fusão. Pouco depois da decisão judicial, David Ellison já anunciou o primeiro nome da futura estrutura de comando da companhia: Ynon Kreiz (ex-CEO da Mattel) será o co-CEO da empresa combinada ao lado de Ellison, onde também passará a integrar o conselho de administração.
A divisão de funções entre os dois executivos já foi definida. Kreiz ficará responsável pela administração cotidiana e pela integração dos negócios da Paramount e da Warner Bros. Discovery, enquanto Ellison continuará como chairman e CEO, concentrando-se na estratégia de longo prazo, direção criativa, relacionamento com talentos, parcerias estratégicas, tecnologia e alocação de capital. “Unir a Paramount e a Warner Bros. Discovery para criar uma empresa de mídia global de última geração é um momento de transformação para a nossa indústria”, declarou Ellison no anúncio de Kreiz. O executivo também afirmou que seu novo parceiro reúne a experiência estratégica e operacional considerada necessária para conduzir a integração das duas companhias.
O processo antitruste mencionado havia sido aberto em julho, com os estados (liderados pela Califórnia) alegando que a concentração dos negócios poderia reduzir a concorrência, diminuir a produção cinematográfica e aumentar os preços para os consumidores. Houve muitas idas e vindas, mas Ellison também não conseguiu o que pretendia sem assumir uma série de compromissos no processo: nos dois primeiros anos, deverão ser lançados 30 filmes por ano (e nos três anos seguintes, a obrigação sobe para 32 filmes anuais) onde anualmente, no mínimo 4 filmes da cota devem ser produções independentes, e pelo menos 20% do total formada por blockbusters. Caso a meta de produção não seja cumprida, a empresa poderá ser obrigada a se desfazer da Miramax Studios, além de pagar US$ 30 milhões por cada filme não entregue. O dinheiro será destinado a fundos de saúde e aposentadoria ligados a sindicatos da indústria, além da National Association of Attorneys General.
Outro compromisso importante envolve a produção cinematográfica nos Estados Unidos. A nova empresa deverá investir pelo menos US$ 1,5 bilhão adicionais em cinco anos, tomando como referência os níveis de investimento doméstico registrados em 2025. Também será criado um fundo para filmes independentes (com contribuição anual de US$ 5 milhões, totalizando US$ 25 milhões durante o período) com o acordo ainda prevendo um fundo de US$ 47,5 milhões para treinamento e desenvolvimento profissional de trabalhadores afetados pela fusão. A companhia também deverá respeitar acordos coletivos existentes e negociar de boa-fé com os sindicatos.
Por fim, os complexos de produção da Paramount e da Warner Bros. na Califórnia também serão preservados (o acordo estabelece restrições à venda ou fechamento dos principais estúdios durante o período determinado pelo acordo) enquanto outra parte importante diz respeito às operações jornalísticas e de televisão. A Paramount concordou com a criação de um News Editorial Independence Board, destinado a acompanhar a independência editorial da CBS e da CNN, e também haverá um monitor independente responsável por fiscalizar o cumprimento das obrigações assumidas pela companhia. Na televisão por assinatura, a nova empresa terá de manter separadas, durante cinco anos, as negociações envolvendo os canais básicos da Paramount e da Warner Bros., preservando a dinâmica competitiva existente antes da fusão. A companhia também deverá manter um serviço gratuito de streaming, como a Pluto TV, preservando seu serviço e qualidade atuais.
O Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos também encerrou sua própria ação contra a fusão após chegar a um acordo separado com a Paramount. Entre os termos está a proibição de demissões de roteiristas da CBS News Broadcast durante cinco anos, além do pagamento de US$ 17,5 milhões ao fundo de saúde do WGA e dos honorários advocatícios relacionados ao processo. Apesar do acordo, o próprio WGA afirmou que continuava contrário à fusão, e que havia decidido encerrar o processo judicial após a ação dos procuradores-gerais dos estados ser resolvida. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já havia encerrado sua própria investigação antitruste sobre a operação em junho, concluindo, após uma investigação de oito meses, que não identificava probabilidade de prejuízo à concorrência ou aos consumidores americanos nos mercados analisados.
O nome da nova empresa, vale dizer, será informado amanhã (1°) enquanto novos desdobramentos da organização da mesma devem ser informados nos próximos dias. Existe a expectativa que o atual chefe da HBO, Casey Bloys, deva assumir o comando de todas as operações de streaming do novo conglomerado (de acordo com o site Puck News) Bloys exigiu o controle total da divisão e se recusou a atuar como subordinado. O veterano chegou a se reunir com Ted Sarandos, sugerindo uma possível ida para a Netflix caso suas demandas fossem rejeitadas.
Os atuais presidentes da Warner Bros. Pictures, Michael De Luca & Pam Abdy, também continuarão liderando uma divisão de cinema própria. Além deles, Richard Brener (da New Line Cinema) e James Gunn & Peter Safran, da DC Studios, também são nomes que David Ellison conta para o seu plano.
Por: Riptor
Fonte: Associated Press; Los Angeles Times

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