quarta-feira, 21 de outubro de 2026

DCU | Qual Música poderia Definir a Mulher-Maravilha e o Batman?

 


Mais do que apenas encerrar uma história em meio aos seus créditos, a escolha de uma música tocada no encerramento de um filme ou série pode também traduzir os sentimentos, os conflitos e a própria essência dos personagens apresentados nela. No DCU, já vimos essa idéia ser explorada a partir dos encerramentos tanto de Superman quanto de Lanternas, duas produções que oferecem pontos de partida para se pensar em como a música poderia ajudar a definir a identidade dos próximos heróis da DC Studios. E bom, a idéia desse post é exatamente essa!



Pois bem, antes de irmos para o ponto que o título entrega, acho válido analisar como os casos mencionados funcionam dentro dessa lógica. Em Superman, a música escolhida por James Gunn para o encerramento do filme foi “Punkrocker”, do Teddybears com Iggy Pop, que reforça a ideia de que a bondade e a empatia podem ser justamente formas de rebeldia, o que combina com a abordagem de Gunn para o Homem de Aço. Ao invés de apresentar o herói apenas como uma figura grandiosa e invencível, a música reforça sua atitude, sua individualidade e a ideia de que continuar sendo uma boa pessoa pode ser um ato de protesto em um mundo que frequentemente recompensa o cinismo. 

Tal associação entre música e personalidade torna a escolha interessante justamente por isso: o encerramento não celebra apenas o que o Superman consegue fazer, mas especialmente aquilo que ele representa. Um herói que escolhe continuar sendo bom, mesmo quando o mundo oferece motivos para não ser.



Em um contraste sonoro evidente, por outro lado, temos “Hero” (de Michael Kiwanuka) tocada no último episódio de Lanternas, apresentando uma atmosfera introspectiva e melancólica. Essa característica permite olhar para o mesmo heroísmo de Superman sob outra ótica: não como um ideal perfeito, mas como uma condição humana, marcada por contradições, responsabilidades e sacrifícios. Não atoa, ela toca justamente no momento em que John assume plenamente o seu papel de Lanterna Verde. Essa escolha ganha ainda mais força quando consideramos a própria origem da canção: Michael Kiwanuka explicou que se inspirou, entre outras coisas, na história de Fred Hampton (líder do Partido dos Panteras Negras em Illinois, assassinado aos 21 anos durante uma invasão policial) e em pessoas que morreram jovens apesar de terem muito a oferecer ao mundo.

Essa perspectiva combina com a trajetória de John, que precisa lidar com o legado de Hal, com as consequências das escolhas de seu mentor e com a responsabilidade de construir sua própria identidade como herói. Não se trata apenas da conquista de um poder, mas no fim das contas, da decisão de assumir um compromisso cujas consequências John ainda não conhece completamente. Hero, dessa forma, enfatiza o peso da decisão que ele acaba de tomar. Então, vamos agora para o que seriam as minhas escolhas pessoais, envolvendo a Amazona e o Morcego de Gotham.



Mulher-Maravilha - Shake It Out (Florence + the Machine)

Uma escolha que se ligaria aos próprios princípios tão conhecidos de Diana Prince (envolvendo a verdade, justiça, amor e igualdade) ao dar ênfase em sua capacidade de superar seus traumas e seguir em frente, sem permitir que as dores do passado determinem seu futuro. Uma guerreira poderosa que não se define apenas pela força, mas também pela compaixão e pela capacidade de encontrar esperança mesmo diante das adversidades.



A música poderia acompanhar uma sequência em que a Mulher-Maravilha, depois de enfrentar uma grande ameaça, contempla o mundo que escolheu proteger. Apesar das perdas e dificuldades, Diana continuaria acreditando na humanidade e na possibilidade de um amanhã melhor, antes de ouvirmos isso sendo ressaltado também nos créditos. Mais do que celebrar uma vitória, o encerramento representaria também a libertação de tudo aquilo que poderia impedir Diana de continuar sua própria jornada.


Batman - Into My Arms (Nick Cave and the Bad Seeds)

É verdade que, tal qual o filme da Mulher-Maravilha, ainda não sabemos muito sobre The Brave and the Bold, e até mesmo mudanças envolvendo seu conceito já aconteceram desde o seu anúncio em 2023. Não vou entrar na questão se o Damian por exemplo ainda estará ou não na história, mas uma coisa segura de se dizer é que a idéia de explorar a Bat-Família não será uma dessas questões, justamente por ser uma das grandes formas que essa nova iteração terá para se diferenciar da franquia de Matt Reeves. E acredite, essa música se ligaria muito com isso.



Todos nós conhecemos a imagem clássica do Batman, como aquela figura quase sobrenatural de Gotham, que impõe medo nos corações de criminosos, perspicaz, astuto, de poucas palavras...e solitário (e por muitas vezes) de mais de uma forma. Bruce transformou sua própria tragédia em uma motivação para ser um herói, mas raramente consegue expressar sua própria vulnerabilidade diretamente. Por isso mesmo, Into My Arms seria uma escolha menos óbvia para mostrar o homem por trás do capuz, e revelar tudo aquilo que ele esconde.



Imagine a cena final sendo Bruce sozinho por um momento depois de uma noite difícil em Gotham. Ele retorna à Mansão Wayne, se senta em uma poltrona e observa uma fotografia de seus pais ou mesma contempla a cidade pela janela. Não há exatamente uma grande vitória para celebrar, apenas um momento de silêncio de alguém que continua carregando suas perdas. Ele solta um suspiro como alguém que soa que estava o segurando durante toda a história...até que ele ouve a porta de trás se abrindo. Dela, saem Alfred, Dick, Bárbara, Damian talvez ainda junto, enquanto ele se vira para vê-los. E antes que os créditos pudessem entrar, a leve surpresa no rosto de Bruce se transformaria em um momento simples, mas nem por isso menos relevante: um rosto que não precisa mais segurar o fôlego, mas sorrir em nome daquilo que o motiva toda santa noite. Aquilo, afinal, que ele aprendeu a ter de volta.

Porque por trás do símbolo que inspira medo nos criminosos, ainda existe um homem que por muito tempo fingiu esquecer a falta de conexão, afeto e paz, pois mesmo quem dedica a vida a proteger os outros também precisa de alguém. Bruce poderia ser exaltado como alguém que de fato raramente consegue estabelecer uma conexão verdadeira com outras pessoas - mas que quando as faz, é capaz de demonstrar um lado que poucos imaginam que ainda poderia ter resistido ao episódio do beco. Com isso, se Shake It Out acompanharia Diana olhando para o futuro, Into My Arms estaria com Bruce confrontando sua própria solidão de uma forma que dificilmente expressaria em palavras, e mostrando que sua humanidade está justamente naquilo que ele tenta esconder. Uma canção fala sobre se libertar do peso que carregamos; a outra, sobre o desejo de encontrar proximidade e conforto em meio às incertezas.

Enfim, espero que tenham gostado do post. Estava sentindo falta de fazer algo mais nesse molde (tempo!). E claro, opinem! Até a próxima.



Por: Riptor

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