sábado, 10 de outubro de 2026

In Service to this Lantern's Light

 

O Post a Seguir contém SPOILERS, então, se ainda Não Viu, Continue por Sua Conta & Risco


E eis que depois de mais algumas peças se encaixarem, chegamos finalmente ao 8° (e último) episódio de 'Lanternas', destinado não apenas a concluir as últimas questões em Rushville, como preparar o terreno para os próximos passos do DCU. Algumas dessas respostas, indo por caminhos que talvez nem todos esperassem - mas vamos por partes.



Tudo começa através de um flashback, onde nos é retomado os acontecimentos posteriores à morte de Zoe, quando Hal acabou preso por conduta imprudente na Terra - e vemos que foi o próprio quem sugeriu que Kerry o prendesse. Durante os dez anos seguintes, Jordan permaneceu na prisão (mantendo contato com a xerife) que, aos poucos, vê a relação entre os dois deixar de ser apenas uma aproximação circunstancial e se transformar no relacionamento que já havíamos descoberto. Talvez a maior demonstração disso sendo sua própria presença do lado de fora, quando Jordan finalmente é solto.

Kerry estava realmente disposta a construir uma vida ao lado de Hal, mesmo sabendo que isso dificilmente seria simples. Afinal, o antigo Lanterna sempre seria uma presença indesejada para boa parte de Rushville, e as provocações e hostilidades que o mesmo enfrenta fazem com que praticamente qualquer morador da cidade possa ser considerado suspeito de seu assassinato. Tal situação muda quando Hal tem sua própria casa incendiada e acaba sendo salvo por Noah.



Durante boa parte da temporada, o filho de Kerry foi um dos suspeitos mais evidentes, especialmente pela possibilidade de não aceitar o atual relacionamento da mãe (e embora tenha chegado muito perto disso) não foi de fato ele. Noah herdou os genes dos Caçadores Cósmicos de sua avó - sua herança humana, entretanto, parece funcionar como uma espécie de "contrapeso", permitindo que ele resista aos instintos destrutivos associados à sua natureza alienígena. Ele teme que Kerry descubra e pede que Hal mantenha o segredo, como uma espécie de "troca de favores" por ter salvado sua vida durante o incêndio. Naturalmente, esse "acordo" não dura muito.

Mesmo sem seu anel, Hal decide investigar o rapaz e acaba descobrindo que o portal para o planeta devastado pela arma de Zoe pertence a Noah. É justamente nesse mundo que Sinestro está escondido, e a razão para mantê-lo ali é bastante simples: poder. Noah libertou o antigo mentor de Hal de sua prisão, mas exige que ele construa um anel capaz de lhe conceder força suficiente para realizar suas ambições. Afinal, Sinestro foi o único a conseguir derrotar um dos Guardiões, algo que torna seus conhecimentos particularmente valiosos.



Ao conversar com o mesmo, John descobre assim que Hal decidiu esconder o portal simplesmente como uma forma de evitar que Noah tivesse acesso à Sinestro, e com isso, evitar também sua eventual criação quando fosse forjada. Ele ainda descobre que o rapaz pretende conquistar poder suficiente para dominar a Terra também por meio da política, chegando a imaginar um futuro em que ocuparia a presidência dos Estados Unidos e governaria como um tirano. Caso seus planos fossem ameaçados, teria à disposição um anel e uma bateria capazes de matar até mesmo os Guardiões.

E Sinestro realmente consegue construir a bateria que Noah deseja. Trata-se de uma espécie de Lanterna Verde improvisada, com uma estrutura remendada e rachaduras douradas que denunciam a presença de algo muito diferente. A bateria ainda contém força de vontade, mas também está contaminada pela impureza amarela associada ao medo. Sinestro insiste para que John a utilize (o que por si só já seria motivo suficiente) para desconfiar de suas intenções. No fim, Stewart pega a bateria, mas deixa o vilão novamente sozinho no planeta do medo. A cena é sugestiva: se Sinestro consegue construir baterias capazes de canalizar diferentes aspectos do Espectro Emocional, não é difícil imaginar que essa habilidade possa abrir caminho para a criação da Tropa dos Lanternas Amarelos em algum momento do futuro. Afinal, ele sempre defendeu o medo como uma das forças mais poderosas do universo, e como toda espécie tem um na "lista de extinção".



Mas afinal, quem matou Hal? A intuição do veterano, como já havíamos visto, não estava completamente errada: Kerry realmente sempre foi a peça central do mistério de Rushville, embora Hal dificilmente pudesse imaginar, naquele momento, que a mulher que amava também seria a mãe de um Caçador Cósmico. Ao perceber o perigo que Noah poderia representar, Hal procura Kerry desesperadamente e pede que os dois deixem a cidade - mas ela recusa. A xerife já sabe que o filho herdou os genes dos Caçadores e, embora tenha medo daquilo em que ele possa se transformar, ainda acredita que a criação que recebeu poderá ajudá-lo a resistir aos próprios instintos.

Hal, por outro lado, não consegue aceitar esse risco. Conhecendo o poder dos Caçadores Cósmicos, ele insiste que Noah precisa ser afastado e mantido isolado, longe de qualquer possibilidade de ameaçar outras pessoas. A discussão se intensifica até que Kerry, em um momento de desespero, saca a arma e dispara contra o próprio companheiro. Mesmo sem essa intenção, foi Kerry quem matou Hal, em uma forma desesperada de proteger o filho - e em uma ironia cruel nessa revelação, Hal não teve tempo de explicar a Kerry o que havia descoberto sobre os planos de Noah. Ela sabia que o filho escondia algo, mas não conhecia toda a dimensão da ameaça que ele poderia representar. E, como acreditava que Noah jamais lhe contaria a verdade, Kerry decidiu preparar as circunstâncias que levariam John de volta a Rushville, convencida de que o antigo aprendiz de Hal seria capaz de desvendar o mistério e conduzi-la à justiça.



Enquanto Sinestro permanecia preso, Noah teve oportunidades de tomar a bateria e até mesmo roubar o anel de Guy Gardner para colocar seus planos em prática. Não fez isso. Segundo o próprio rapaz, ele está se esforçando para ser uma pessoa boa, embora lutar contra os impulsos de sua própria espécie seja uma tarefa constante e desgastante. Quando John retorna do portal, Noah está esperando por ele, pronto para enfrentá-lo antes de seu importante jogo de futebol. Durante a conversa, pergunta por que John matou Zoe. Stewart explica que ela desejava morrer porque, depois de tantos anos lutando contra sua própria programação, havia perdido a esperança de conseguir mudar. Noah compreende imediatamente o que ele quer dizer, já que está enfrentando um conflito semelhante.

O jovem poderia matar John naquele momento, mas toma outra decisão. Entrega a ele o anel de Hal e faz um pedido perturbador: que Stewart o mate de maneira rápida e indolor depois do jogo, caso ele não consiga resistir à própria natureza, pois tem medo de acabar como a avó. John não sabe exatamente como responder, mas decide conceder ao rapaz um voto de confiança. Afinal, ele próprio cresceu condicionado a cumprir ordens e a viver de acordo com expectativas que nunca foram inteiramente suas. Levou anos para perceber que poderia questionar esse destino e encontrar um caminho próprio, e talvez Noah também consiga fazer isso. A série não oferece uma resposta definitiva sobre o futuro do rapaz, mas deixa claro que John não pretende ignorar o perigo. Se Noah conseguir se tornar tão poderoso como pode ser, Stewart precisará estar preparado e terá algo para impedi-lo.



Noah ainda tenta assumir a culpa pela morte de Hal, mas John percebe que ele está mentindo. A postura de Kerry quando os dois finalmente se reencontram reforça suas suspeitas, até que ele compreende o que realmente aconteceu. A xerife promete se entregar às autoridades, mas John acaba considerando uma alternativa: e se prender Kerry e destruir o pouco que resta daquela família apenas mantiver vivo o ciclo de traumas que marcou aquela cidade? A decisão também passa pelo que John aprendeu ao longo de sua própria trajetória. Ele sabe que proteger alguém não significa necessariamente ignorar seus erros, mas também entende que a punição, por si só, nem sempre impede que os mesmos problemas se repitam. Ao lembrar do conselho que Zoe lhe deu em 2016, decide que a versão oficial será a de que Hal Jordan morreu como um herói, permitindo que os habitantes da cidade sigam em frente.



Kerry poderá continuar ao lado de Noah e tentar ajudá-lo a resistir à própria natureza, enquanto John assume a responsabilidade de vigiar o que poderá acontecer no futuro. Não é uma solução perfeita, muito menos uma garantia de que tudo terminará bem. É, porém, a escolha que ele acredita oferecer alguma possibilidade de romper o ciclo de violência e sofrimento que assombra aquela cidade.

A partir daí, John finalmente toma a decisão que vinha adiando desde o início da série: com o incentivo do holograma de Hal, ele recarrega o anel de seu antigo mentor utilizando a bateria construída por Sinestro. Ao contrário do que algumas teorias sugeriam, isso não o transforma em um Lanterna Amarelo, mas de fato um Lanterna Verde independente, ainda que estabelecendo condições próprias para exercer esse papel. Mais do que isso, ele convoca Guy Gardner por meio do Lanterna-Sinal e deixa uma mensagem bastante clara aos Guardiões: não pretende se tornar um integrante convencional da Tropa, submetido às ordens de Oa, e agirá por conta própria sob o manto - enquanto sugere que Guy concentre suas atividades no restante do setor 2814, em vez de limitar sua atuação à Terra.



O que aconteceu em Rushville não foi divulgado publicamente em todos os seus detalhes. Além dos habitantes da cidade, John e a Guardiã Lianna, praticamente ninguém sabe que um Caçador Cósmico esteve escondido ali. Revelar essa informação também colocaria os próprios Guardiões em uma posição delicada, considerando o que a existência dessas criaturas representa para a história da Tropa. É justamente esse segredo que John pretende usar para garantir sua independência: ele assume o papel de Lanterna Verde da Terra e, ao mesmo tempo, estabelece um juramento próprio. 



É assim que, enquanto vemos cenas mostrando sua reaproximação com a família (e até mesmo a inclusão de Earl nesse círculo, e o pagamento feito à Maggie) John recarrega o anel antes de partir para o céu, ao dizer: 

"No dia mais claro



Na noite mais densa



Aceitarei o meu medo para que o bem vença



Eu escolho este anel



Eu escolho lutar



Esta Lanterna farei brilhar"




E é aqui que vou começar a de fato deixar um pouco mais pessoal, já que naturalmente temos de apontar sobre as grandes questões que esse episódio apresenta. É claro que geraria algum burburinho em cima (já notaram como tive de fazer aqui agora 3 posts especificando coisas como isso? Pois é) mas não é como se nesse caso não houvesse de fato ao menos parte de razão nisso. Então vamos justamente para essa parte primeiro: a questão da morte do Hal.



A revelação de que Kerry foi responsável pela morte de Hal é sem dúvida uma escolha com impacto (após vermos como a relação entre os dois evoluiu) principalmente por representar uma reviravolta cruel para alguém que, até então, parecia ser uma das figuras mais estáveis dessa história. Tal representação, naturalmente, acaba ganhando contornos instáveis quando isso acaba evoluindo para um conflito que envolve diretamente uma relação de mãe & filho, e até onde uma progenitora é capaz de ir por ele. E nesse caso, especialmente quando essa relação talvez também possa ter até uma consequência direta para evitar o surgimento de algo ainda pior e de alcance muito além de uma cidadezinha no meio do nada. 

A maternidade é um dos elementos que conectam diferentes personagens aqui. John passou boa parte da vida sendo moldado por expectativas que nunca escolheu, muitas impostas pelos próprios pais. Noah, por sua vez, está começando a perceber o quanto suas origens e os atos de sua mãe podem determinar seu futuro. E Kerry se vê diante de uma situação extrema, na qual proteger o filho significou tomar uma decisão que não poderá desfazer. E é justamente aí que a série poderia ter explorado melhor as consequências dessa escolha, ao transformar um assassinato em um dilema moral. Quais seriam os efeitos práticos de prender a mãe de um garoto já propenso a ser algo inclinado à violência? 



Minha questão sobre isso acaba sendo muito menos sobre o debate de certo ou errado (que é interessante) e se redireciona para o fato de isso ocupar menos conta do episódio do que realmente deveria. Eu diria que, facilmente, a série poderia ter se alongado para incluir ao menos mais um episódio (um 9°, para se tornar o verdadeiro desfecho) e assim deixar o espaço aberto para sentirmos de fato um maior tempo de desenvolvimento real para essa questão. Não há dúvida que Kerry não queria realmente atirar (ou muito menos matar Hal) e toda a idéia da própria ter arrumado um jeito de John retornar para ver a cena do crime diz muito sobre o sentimento de culpa envolvendo a personagem. No entanto, quando temos um episódio que também precisa encerrar outras pontas deixadas ao longo da temporada, a impressão que fica é que a morte do co-protagonista, ao invés de ter um arco de encerramento nesse sentido, soa receber muito mais uma resposta por necessidade, antes de partir para outras coisas. Acho que deu para entender o meu ponto, não é? Não se trata de exigir que Kerry seja absolvida ou condenada pelo público. A morte de Hal merecia um desenvolvimento emocional mais prolongado, especialmente após a temporada inteira construir um mistério em torno disso.



Se tudo isso terá repercussões nas próximas produções do DCU, ainda precisamos esperar para descobrir. Nessas horas parece válido relembrar em como James Gunn já havia indicado que a série apresentaria "a grande ameaça" para o primeiro capítulo desse universo. Será que essa ameaça está ligada aos Caçadores Cósmicos? Ou eles são apenas uma parte de algo muito maior? A verdade é que, com base no que temos com base nesse encerramento, ainda é muito prematuro tentar cravar qualquer coisa.

Mas e quanto a John? Bom, uma das decisões mais interessantes do final, porém, é a maneira como o mesmo assume definitivamente seu papel de Lanterna Verde. Não se trata simplesmente de aceitar o anel que ele rejeitou anteriormente: John também decide que não precisa continuar submetendo sua vida às expectativas dos Guardiões de Oa. Indo com certeza onde nenhuma teoria teria ousado arriscar (a cena final obviamente serve como uma preparação para a sua atuação em 'Homem do Amanhã') temos um Lanterna Verde que não responde a Oa, com seus próprios códigos, e até mesmo um juramento próprio. Mesmo que em um primeiro momento pareça uma escolha totalmente drástica, não é como se ela não usasse alguma base prévia pelo caminho.



Na série, John é apresentado como alguém que sempre seguiu ordens, e que sempre foi projetado para objetivos que, na prática, nunca eram honestamente seus. Primeiro, foi moldado pelas expectativas dos pais; depois, descobriu que os próprios Guardiões também estavam dispostos a manipulá-lo para alcançar seus propósitos. Ao longo da temporada, Hal o ensinou que seguir ordens não é necessariamente o mesmo que fazer a coisa certa, e que questionar uma autoridade não significa abandonar os próprios princípios. John pode ter decidido aceitar o mesmo anel que um dia rejeitou, mas em contrapartida, mantém a idéia de rejeitar isso como algo determinado pelos Guardiões ou mesmo por seus pais: ele será um Lanterna Verde, mas realmente em seus próprios termos.

Essa abordagem encontra paralelos interessantes nos quadrinhos. Quando John Stewart foi apresentado como um personagem mais disposto a questionar a autoridade, chegou a demonstrar resistência ao próprio juramento da Tropa. Além disso, mudar o “cântico” da mesma é mais comum do que se imagina, onde vários outros Lanternas já foram mostrados readaptando o juramento a seu próprio modo. Tal reformulação feita por Steve Englehart em 1987 (e as mudanças posteriores associadas a Geoff Johns) fazem parte de uma história editorial em que a identidade dos Lanternas nunca permaneceu completamente imóvel.



Também existem precedentes para Lanternas que atuam fora da estrutura convencional da Tropa. Alan Scott, por exemplo, nunca pertenceu oficialmente à organização nem esteve submetido diretamente à autoridade de Oa. Por sua vez, Jo Mullein já trabalhou com considerável autonomia, inclusive em períodos consideráveis sem contato com os Guardiões, recorrendo aos próprios métodos e a um anel distinto. E até mesmo um Lanterna Verde com algo amarelo na equação não é totalmente estranho, já que a graphic novel Lanterna Verde: Terra Um chega a apresentar em sua continuidade um John Stewart que utiliza um anel amarelo e a energia do medo como recurso tático contra justamente os Caçadores Cósmicos. O que muda aqui, é a maneira como a série conecta essa independência à jornada pessoal de John, e tal escolha pode ter implicações importantes para o futuro.



Com 'Superman', o DCU já explorou diferentes relações entre os super-heróis/metahumanos e as instituições que tentam controlá-los. Alguns estão associados ao setor privado, como os integrantes da Gangue da Justiça; outros aparecem vinculados ao governo, como Ultraman e a Engenheira em parte da história; e há aqueles que respondem a autoridades de escala cósmica, como os próprios Lanternas. Nesse cenário, o Superman representa uma forma de heroísmo que procura colocar o altruísmo acima dos interesses de quem deseja controlar. Com John agora como um herói desvinculado da Tropa e atuando por conta própria, ele se alinha totalmente a essa postura do Homem de Aço — bem como do Batman do DCU, que já age há anos em Gotham. Isso pode muito bem aproximá-lo de Clark e ajudar a estabelecer as bases para uma futura Liga da Justiça formada por heróis que cooperam por vontade própria, ao invés de simplesmente obedecer a uma autoridade central. 

Mas é claro, não poderia deixar de mencionar ainda mais um ponto: por ora, Hal está de fato morto - mas será que para sempre? Em meio a sua conversa com John, Sinestro afirma "existir uma maneira" de trazer Hal de volta, e que ele só precisaria do anel que Stewart pegou para si para isso. Ele estaria apenas blefando, ou há realmente verdade nisso, ainda mais diante de um anel envenenado com impureza amarela? 



A série ironicamente adapta e inverte a lógica dos quadrinhos nesse ponto: nas HQs, Sinestro já usou truques e a energia do anel para forjar a própria morte e retornar depois - como (vejam só, ela de novo) em Crepúsculo Esmeralda. Aqui, com Hal ficando instável após a destruição de Coast City, os Guardiões decidem no desespero libertar Sinestro de sua prisão - apenas para que Hal quebre seu pescoço, aparentemente matando-o. No entanto, anos depois foi revelado que tudo não passou de uma farsa: o Sinestro que Hal enfrentou era, na verdade, uma projeção física de energia sólida criada pelo anel. O verdadeiro Sinestro permaneceu escondido dentro da Bateria Central, manipulando os acontecimentos dos bastidores em uma tentativa de corromper Hal por completo. Além disso, visto que John conseguiu manter o Halograma funcionando mesmo com a bateria do anel quase descarregada, não parece impossível dizer que há sim um precedente. Por ora, só nos resta torcer deixar o tempo nos dizer.


Quem me conhece aqui sabe que eu sempre criei expectativa em torno dessa série, e não me arrependo. O núcleo dos Lanternas sempre foi o meu favorito da DC, e embora haja algumas questões aqui ou ali (uma referente a esse último episódio, como mencionei) mas a própria idéia de basicamente só termos nessa temporada aliens disfarçados também foi meio paia, há com certeza algo para se gostar aqui. Mais do que heróis cósmicos, a série também se mostra interessada em explorar o que existe por trás dos uniformes, dos anéis e dos juramentos - e como isso também pode se mostrar uma história sobre pessoas marcadas por traumas, famílias disfuncionais e a dificuldade de descobrir quem realmente somos quando passamos a vida inteira tentando corresponder às expectativas dos outros. A mitologia aqui também existe para servir a esses conflitos, mesmo que isso não signifique que todas as respostas sejam satisfatórias ou que cada elemento tenha recebido o desenvolvimento ideal. 

E se há algo fundamental para isso funcionar, eles se chamam Kyle Chandler & Aaron Pierre. Demonstrando uma química inegável logo em seus primeiros momentos, o que temos é uma dupla que até começa em lados bastante diferentes, mas cuja relação evolui para se tornar algo muito mais significativo ao fim da estrada. Tal relação funciona justamente porque nenhum deles está completamente certo ou errado: Hal conhece as falhas do sistema e sabe que obedecer às autoridades não significa necessariamente fazer justiça, mas suas experiências também o tornaram desconfiado e autodestrutivo. John, por sua vez, acredita que a disciplina pode oferecer respostas, mas também aprende a descobrir que uma instituição pode usar essa mesma disciplina para manipular seus integrantes.



Aos poucos, os dois passam a reconhecer as fragilidades um do outro, e é essa transformação que dá peso à investigação: ela não serve apenas para descobrir quem matou Hal, mas também para mostrar como John aprendeu a compreendê-lo, mesmo quando já não podia contar com ele da maneira convencional. A maneira como foi trabalhado todo o conceito de força de vontade e medos como parte disso também foi ótima.

Ser um herói não significa estar livre de falhas, traumas ou contradições. Significa tomar decisões mesmo quando não existem respostas simples, e aprender que força de vontade não é o mesmo que insistir em carregar tudo sozinho. Hal & John chegam a essa compreensão por caminhos diferentes, e é justamente a diferença entre suas experiências que torna sua parceria tão interessante de acompanhar. É uma história sobre o que acontece quando duas pessoas quebradas tentam descobrir como fazer a coisa certa, mesmo quando foram ensinadas a obedecer, a esconder a dor ou a acreditar que precisam enfrentar tudo sozinhas.


Porque, no fim das contas, o legado de um Lanterna não está apenas no anel que ele deixa para trás - mas naquilo que ensina a quem precisa continuar sem ele. A época de sermos uma piada pessoal do Ryan Reynolds acabou.


Por: Riptor

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