domingo, 18 de janeiro de 2026

Descanse em Paz



 


Um dos nomes mais influentes do mundo da animação (e codiretor de um dos maiores clássicos da Disney) Roger Allers faleceu recentemente aos 76 anos. A triste confirmação veio por meio do produtor de cinema Dave Bossert (Pocahontas) colega de longa data de Allers, em um comunicado no Facebook. 


A notícia pegou amigos e familiares de surpresa, visto que o diretor estava ativo e viajando recentemente. A causa da morte ainda não foi revelada: "Estou profundamente triste com a notícia de que nosso amigo Roger Allers partiu para sua próxima jornada", escreveu Bossert. "Estávamos trocando e-mails na semana passada enquanto ele viajava pelo Egito, o que torna essa perda ainda mais irreal"



Bossert, que colaborou com Allers em diversas produções durante as décadas de 80 e 90, destacou não apenas o talento profissional do colega, mas seu caráter humano, ao descrevê-lo como "uma das pessoas mais gentis que você poderia ter a sorte de conhecer e trabalhar ao lado". Além disso, ressaltou que mesmo a fama não mudou seu modo de ser, e que Roger tratava todos com "genuína gentileza e respeito, independentemente do título ou posição".


Nascido em Nova York em 1949 (mas criado no Arizona) Allers desenvolveu um amor pela animação depois de assistir a Peter Pan, da Disney, aos cinco anos. Após estudar belas artes na Universidade Estadual do Arizona, a paixão de Allers pela animação reacendeu depois de fazer um curso em Harvard, onde seus primeiros trabalhos na área foram no Lisberger Studios, em Boston, onde trabalhou como animador em diversos projetos (com destaque para Vila Sésamo), bem como diversos comerciais. Seu primeiro crédito em um longa aconteceu no filme animado para televisão Animalypmics (1980), enquanto que seu primeiro trabalho na Disney foi em 1982, onde atuou como artista de storyboard no primeiro Tron



Nos anos seguintes, Allers construiria uma carreira sólida e vital para a chamada "Renascença da Disney", onde atuou como animador e roteirista, contribuindo diretamente para o desenvolvimento narrativo de animações como Oliver e sua Turma (1988), A Pequena Sereia (1989), Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus (1990), Aladdin (1992) e o que foi seu segundo maior trunfo: A Bela e a Fera (1991), onde atuou como chefe de roteiro do clássico vencedor do Oscar. E note, eu disse segundo maior trunfo.

O primeiro viria ainda alguns anos depois, em 1994, onde ao lado do codiretor Rob Minkoff, Allers dirigiu sua obra prima: O Rei Leão, até hoje um dos filmes de animação mais populares de todos os tempos, e do qual sua dupla de diretores ainda teve o auxílio de profissionais como Brenda Chapman (Fantasia 2000), Chris Sanders (Lilo & Stitch), Don Hahn (Atlantis), Kirk Wise (O Corcunda de Notre Dame) e Gary Trousdale (A Bela e a Fera) para fazê-lo acontecer. A colaboração entre Allers e Sanders também continuaria após isso, com o primeiro atuando como artista de storyboard em Lilo & Stitch (2002).



Seu retorno como diretor, por outro lado, aconteceu em 2006, primeiramente com o curta A Pequena Vendedora de Fósforos (novamente em colaboração com o produtor Don Hahn) recebendo uma indicação ao Oscar e incluído como conteúdo extra em uma edição em DVD de A Pequena Sereia. Após a Disney, Allers ainda marcaria presença na Sony Pictures Animation, onde codirigiu ao lado da diretora Jill Culton o primeiro longa-metragem de animação do estúdio: O Bicho Vai Pegar, que se provou um sucesso de bilheteria. Seu último trabalho como diretor, por fim, foi em O Profeta (2014) onde atuou ainda como roteirista e supervisor da estrutura narrativa e produção da antologia animada, que incluiu capítulos dirigidos por Paul & Gaetan Brizzie, Joan C. Gratz, Mohammed Saeed Harib, Tomm Moore, Nina Paley, Bill Plympton, Joann Sfar e Michal Socha.

“É com profunda tristeza e consternação que compartilho a notícia do falecimento de nosso querido amigo e irmão criativo, Roger Allers — um artista extraordinário, um homem que viveu intensamente e generosamente, e alguém que amei profundamente; assim como todos nós que o conhecemos e trabalhamos com ele. Por favor, mantenham-no e sua família em seus pensamentos e deixem que seu espírito continue vivo em vocês", declarou Don Hahn ao emitir um comunicado sobre o falecimento. Tom Sito, veterano de animação, autor e professor, por sua vez escreveu: “Todos nós do mundo da animação estamos tristes com o falecimento repentino de Roger Allers. Roger era um querido amigo e um profissional exemplar. Por mais que a pressão, os prazos e a política dificultassem um projeto cinematográfico, jamais o vi perder a compostura. Na minha memória, guardarei para sempre a imagem daquele seu doce sorriso. Até nos encontrarmos novamente, meu velho amigo".



Allers deixa sua filha Leah (que está trabalhando em um documentário sobre a vida e obra do pai) e seu filho Aidan. Seu legado, no entanto, continuará eterno.



Por: Riptor

Fonte: O Vício; Animation Magazine

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