quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Diretor de 'Piratas do Caribe' comenta sobre efeitos visuais atuais

 






Conhecido pelo uso cuidadoso de VFX em filmes como Piratas do Caribe, Gore Verbinski reconheceu que muitos efeitos atualmente “não parecem tão bons” quanto há quinze anos, mesmo com a tecnologia tendo avançado consideravelmente.


O cineasta credita que a explicação mais simples passa pela entrada definitiva da Unreal Engine, originalmente desenvolvida para jogos eletrônicos, na indústria cinematográfica.


“Acho que a resposta simples é que você viu a Unreal Engine entrar no universo dos efeitos visuais. Antes havia uma divisão: a Unreal era muito boa para jogos, mas então as pessoas começaram a achar que talvez filmes também pudessem usá-la para efeitos finais. Com isso, esse tipo de estética de videogame começou a entrar no cinema,” disse ao But Why Tho.


A mudança ajuda a explicar por que produções clássicas continuam visualmente sólidas.


“Acho que é por isso que os filmes do (Stanley) Kubrick ainda se sustentam, porque estavam filmando miniaturas e usando pinturas. Agora, você tem uma estética diferente. Isso funciona em filmes da Marvel, onde você já sabe que está em uma realidade elevada, irreal. Mas não funciona do ponto de vista estritamente fotorrealista,” acrescentou.


O problema não é apenas estético, mas físico.


“Eu simplesmente não acho que isso receba luz da mesma forma. Não acho que reaja de maneira fundamentalmente correta à subsuperfície, à dispersão, à forma como a luz atinge a pele e reflete. É assim que você acaba no vale da estranheza, especialmente na animação de criaturas, porque muito do in-betweening é feito por velocidade, e não manualmente.”


O diretor também critica o que passou a ser considerado aceitável do ponto de vista executivo.


“E também o que se tornou aceitável do ponto de vista dos executivos, que acham que ninguém vai se importar se os navios no oceano parecem não estar realmente sobre a água. No primeiro Piratas do Caribe, nós realmente saíamos para o mar e subíamos em um barco.”


“Em Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra, tentamos ser muito rigorosos em fazer com que pelo menos 50% do quadro seja fotográfico. Acho que isso te mantém honesto. Você pode usar objetos reais como referência, e quando vê a substituição em CG, sabe exatamente como replicar o que é real.”


Verbinski completou dizendo que a substituição de ferramentas tradicionais pelo uso intensivo da UE é um retrocesso.


“Acho que a Unreal Engine entrando e substituindo o Maya como algo fundamental é o maior passo para trás... Existe algo que as pessoas erram o tempo todo em efeitos visuais. Você pode criar um helicóptero muito real. Mas, no momento em que voa de forma errada, seu cérebro sabe que aquilo não é real. Cada curva precisa ser conquistada; ele precisa se mover corretamente. Ainda é animação. Às vezes não é só a luz ou a fotografia, às vezes é o movimento.”


POR:Marcilio

FONTE:Ovicio

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