Se a fusão entre a Netflix e a Warner Bros. for concretizada, a mudança pode ser maior na própria gigante do streaming do que no tradicional estúdio de Hollywood.
Em entrevista ao podcast The Town with Matthew Belloni, o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, delineou uma estratégia que alteraria fundamentalmente o DNA da gigante do streaming.
O executivo propôs um novo ciclo de vida para os lançamentos cinematográficos da Warner: 45 dias de exclusividade nos cinemas, seguidos por uma janela de lançamento em plataformas digitais (VOD) e, somente depois, a disponibilização no streaming.
Essa mudança introduziria um modelo de negócios inédito para a empresa: o Video on Demand (VOD), ou aluguel e compra digital.
Atualmente, a Netflix disponibiliza seus filmes originais sem custo adicional para os assinantes. No novo cenário, isso continuaria acontecendo com alguns de seus lançamentos, mas a plataforma passaria a funcionar também como uma "loja digital" de títulos da Warner, além de possivelmente disponibilizá-los em outras plataformas de VOD, como o Google TV ou o Apple TV, por exemplo.
Isso significa que, após sair dos cinemas, um filme como Batman ou alguma outra grande produção da Warner ficaria disponível para aluguel ou compra avulsa dentro do próprio aplicativo, gerando receita extra antes de ser liberado "gratuitamente" no catálogo da assinatura mensal.
A estratégia tem dois objetivos claros. Primeiro, apaziguar as redes de cinema, que consideram o VOD uma ameaça menor do que o streaming por assinatura (SVOD).
Segundo, e mais importante, capturar uma fatia do lucrativo mercado de aluguel digital, que se tornou uma fonte vital de receita para Hollywood no pós-pandemia, salvando muitas produções de fecharem no vermelho.
Embora Sarandos tenha mencionado a HBO Max em sua explicação técnica, analistas apontam que o cenário mais provável é o de que o serviço da Warner deixe de existir separadamente, se tornando uma aba dentro da Netflix (mais ou menos como o Hulu é no Disney+).
Todo o conteúdo da HBO Max seria absorvido pela interface da Netflix, enquanto a marca HBO permaneceria existindo como o tradicional canal a cabo premium e produtora de conteúdo de prestígio.
A decisão final sobre a fusão será tomada na assembleia de acionistas marcada para 20 de março.
POR:Marcilio
FONTE: Riptor, Ovicio

Nenhum comentário:
Postar um comentário