sexta-feira, 30 de outubro de 2026

....................Uma vibe misturada aqui

 







A inteligência artificial deve ganhar espaço na produção de filmes, mas isso não significa que será capaz de substituir a experiência cinematográfica ou o trabalho dos artistas. Essa é a visão de Matthew Libatique, diretor de fotografia que já recebeu três indicações ao Oscar e participou de grandes produções de Hollywood.


Durante o Festival Evolution Mallorca, onde foi homenageado com o Cinematography Icon Award, Libatique comentou sobre as possíveis aplicações da tecnologia. Na opinião dele, gigantes como Marvel e DC podem encontrar na IA uma alternativa para diminuir os altos investimentos em efeitos visuais. Ainda assim, acredita que a relação entre espectadores, atores e personagens continuará sendo um elemento essencial do cinema.


O próprio profissional já começou a explorar essas possibilidades em parceria com Darren Aronofsky, diretor com quem mantém uma colaboração de longa data. Em conversa com a Variety, revelou que os dois pretendem realizar um experimento em breve e que estão interessados em descobrir até onde a tecnologia pode chegar.


“Já conversamos sobre isso. Vamos fazer um teste em breve. Acredito que, quanto mais informações você fornecer ao sistema, mais ele terá aquilo que está procurando. Ele quer descobrir o quanto é possível fazer com o mínimo de informações; nós dois queremos aprender mais sobre isso”, explicou.


Com experiência em filmes como Homem de Ferro e Pantera Negra, Libatique reconhece que a inteligência artificial pode ser especialmente útil em produções que dependem de efeitos digitais elaborados. Ele, porém, não acredita que isso represente o fim do cinema tradicional.


“Não acho que vá substituir o cinema. O que ela poderia substituir são os efeitos visuais de estúdios como a Marvel, que fazem seus filmes gastando quantias enormes de dinheiro. Consigo entender por que precisarão recorrer à inteligência artificial para reduzir parte desses custos.”


Para ilustrar esse cenário, o diretor de fotografia citou 300, de Zack Snyder. O longa foi filmado majoritariamente em um estúdio, diante de telas verdes, com grande parte dos cenários e paisagens criada digitalmente. Libatique chegou a comparar esse método ao que hoje se busca com ferramentas de IA.


“Basicamente, aquele foi nosso primeiro filme feito com IA. Se você quer que seu filme tenha essa aparência, vá em frente. Mas, novamente, como nós, seres humanos, vamos nos conectar com isso? O público de alguns desses filmes é bastante limitado. Ele é limitado por idade, gênero e também pela interação social.”


Apesar de reconhecer o potencial da tecnologia, Libatique considera que a presença de atores reais continuará fazendo diferença. Ele destacou a capacidade de intérpretes como Chris Evans e Robert Downey Jr. de dar personalidade aos personagens e criar vínculos duradouros com o público.


“Eles sempre conseguiram colocar personalidade nos personagens, seja com Chris Evans ou Robert Downey Jr. Essas pessoas se tornam personagens pelos quais o público se apaixona. Não acho que teremos uma Batwoman ou uma Viúva Negra interpretadas por uma Tilly Norwood criada por IA. Ninguém pode me dizer que será possível criar um personagem de inteligência artificial capaz de fazer o que Robert Pattinson faz. Não será possível”, afirmou.


Por fim, o cineasta também demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de a IA assumir o lugar dos profissionais envolvidos em dramas mais intimistas. Para ele, obras como Valor Sentimental dificilmente seriam produzidas com o mesmo resultado por meio de inteligência artificial.


“Ninguém vai fazer (um drama como) Valor Sentimental com IA. Por isso, eu teria cautela com a ideia de que pode substituir todos nós, porque não acredito que chegará um momento em que, como sociedade, daremos as costas ao cinema. Nós precisamos dele”, concluiu.


POR;Marcilio

FONTE:Variety

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